O papel do feedback no processo de aprendizagem on-line

A interatividade constitui-se como um dos principais desafios e problemas enfrentados pelos/as tutores/as em EaD. Como a comunicação agora é mediada pelas NTIC’s que possuem suportes com diferentes níveis de interação a comunicação e construção de conhecimentos torna-se variável (BARCIA, 1996).
De acordo com Peacock (1996, p. 14) formas de feedback estão diretamente ligadas aos diferentes graus de interatividade comunicativa, a saber: unidirecional, bidirecional e multidirecional. Quando o nível de interatividade é baixo dizemos que a comunicação é unidirecional e ocorre, em geral, do/a professor/a para o/a aluno/a. Este modo era bastante comum nos primórdios da EaD como, por exemplo, a TV educativa e cursos por correspondência tornando o feedback assíncrono e demorado.
A comunicação bidirecional, por sua vez, possui nível de interação mediana e ocorre tanto por parte do/a professor/a quanto por parte do/a discente. Este tipo de comunicação é mais comum quando, por exemplo, utilizamos o recurso de videoconferência nas quais ambas partes conseguem se ver e se ouvir. O feedback não ocorre de forma síncrona pois apesar de os/as discentes poderem ver e ouvir o/a tutor este só pode ver uma sala por vez.
Por fim, há a comunicação multidirecional no qual o nível de interatividade é alto. Aqui é possível o uso sincrônico e assincrônico dos suportes (especialmente das redes de comunicação: internet, intranet, blogs, etc). Peacock (1996, p. 16) sugere que na atual geração de EAD o/a aluno/a obtém acesso direto às bases de dados, acesso para vídeo e material em forma de texto. Essa relação é a mais propícia para o desenvolvimento do feedback correto, já que alunos/as e docentes comunicam-se livremente e possuem considerável controle sobre o escopo e a sequência do material estudado.
Seguindo classificação de Willians (2005, p. 52) diferenciamos aqui tipos diferentes de feedback tais como:
Positivo: tem a função de reforçar bons comportamentos e sempre deve ser utilizado, mesmo quando os/as discentes já estejam agindo conforme os desejos do/a professor/a já que isto evita a desmotivação.
Corretivo: tem por objetivo modificar um comportamento não desejável. Deve-se cuidar para não dar um feedback ofensivo.
Insignificante: é um feedback vago ou genérico a ponto de confundir o/a aluno/a sobre o seu propósito. Não provoca a reação desejada no/a aluno/a.
Ofensivo: não orienta, não permite a aprendizagem pelo erro e não motiva os estudos além de gerar conflitos entre professores/as e alunos/as.
Willians (2005) aponta, ainda, algumas estratégias para maximizar a eficácia deste recurso, como por exemplo, sempre iniciar a intervenção com alguma espécie de feedback positivo para, posteriormente, fazer perguntas cuidadosamente orientadas. Se/quando necessário deve-se dizer claramente ao/a discente qual(is) a(s) mudança(s) necessária(s) a serem (re)feitas na atividade além de aplicar disciplina de forma apropriada e estabelecer limites.
Entretanto cada tutor/a deverá utilizar um feedback próprio e utilizar nele somente informações úteis através de uma linguagem simples e direta, pois “somente assim, a avaliação pronunciada pelo professor poderá do ponto de vista da comunicação, tornar-se formativa” (HADJI, 2001, p. 109). Conhecendo as relações entre feedback e avaliação formativa os/as docentes em EaD podem se tornar mais eficientes e possuir mais subsídios para elaboração de novas formas de pensar este tipo de interação.
Referências Bibliográficas:
BARCIA, R. M. et ali. Educação à Distância e os vários níveis de interatividade. SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE REDES E TELEDUCAÇÃO. Rio de Janeiro: CNI/SENAI/CIETRio, 1996.
FLORES, A. M. O feedback como recurso para a motivação e avaliação da aprendizagem na educação a distância. In: ANAIS DO 15º CIAED - CONGRESSO INTERNACIONAL ABED DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. A Procura de Inovações no Processo de Ensino-Aprendizagem em EAD. Fortaleza, 2009. Disponível em: http://www.abed.org.br/congresso2009/CD/trabalhos/1552009182855.pdf Acesso em: 26 fev. 2013
HADJI, C. Avaliação desmistificada. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.
PEACOCK, K. A. Connecting to the Global Classroom: distance education in a University setting. UIRC: Toronto, 1996.
WILLIAMS, R. L. Preciso saber se estou indo bem: uma história sobre a importância de dar e receber feedback. Rio de Janeiro: Sextante, 2005.
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