Lidando com plágio e promovendo a autoria acadêmica na EaD




plágio no contexto acadêmico, especialmente na EaD, vem crescendo cada vez mais em virtude da facilidade de acesso à rede mundial de computadores que disponibiliza milhares de hipertextos digitais das mais diversas áreas do conhecimento. Ao invés de oferecer espaço privilegiado de confronto com ideias diferentes, que estimulasse pensamentos diferenciados, a modernidade dos meios de comunicação tem contribuido no sentido de aumentar e potencializar a questão do plágio na academia, que supostamente deveria ser lar do pensamento critico e autônomo. Devido a velocidade da circulação de dados na rede cresce a facilidade de se plagiar e cada vez mais é difícil delimitar traços autorais em textos.

Acredito ser interessante aqui propor um contraste entre a intertextualidade – resposta de textos em cadeias comunicativas relacionais – e o simples uso de informações desordenadas e frutos de apropriação intelectual indevida. O advento e popularização dos hipertextos abre um leque interessantíssimo de possibilidades intertextuais, já que a dialogicidade com outros textos é favorável a abertura para várias vozes (polifonia). Neste sentido podemos afirmar que discursos estão sempre sendo construídos e que textos nunca estão fechados, são mutáveis e afirmados ou contestados em outros discursos. Assim considerado, um texto nunca é exclusivo e o autor é mero “orquestrador de vozes diferentes”; entretanto esta concepção diferencia de plágio já que este parte do pressuposto que o(s) texto(s) são de autoria primária e exclusiva de determinado indivíduo e outro que dele se apodera.

Nós, tutores/as de EaD, temos de refletir sobre a necessidade de abrir espaços subjetivos e objetivos na universidade que estimulem a produção de materiais autorais. Como comentei na minha participação do fórum da semana 5, acredito que práticas inovadoras de leitura e escrita são uma grande ferramenta para o estímulo e reflexão da produção intelectual autônoma, de forma a prover aos/as discentes confiança necessária para a escrita de textosassim como chamar à uma reflexão ética que condena tal pratica. A preservação da intelectualidade alheia “se realiza toda vez que o produtor da linguagem se representa na origem, produzindo um texto com unidade, coerência, progressão, não-contradição e fim" (ORLANDI, 2004, p. 69).

A resposta a essa demanda deve ser entendida como uma atribuição social, mais especialmente educacional e escolar, pois é a sala de aula que oferece “condições de fomento à criação, à produção, à autonomia do sujeito/leitor(a) para transformar-se num autor(a)/coautor(a)” (SILVA, 2008, p. 355) pois "o sujeito só se faz autor se o que ele produz for interpretável" (ORLANDI, 2004, p. 70).

Referências Bibliográficas:
SILVA, O. S. F. Entre o plágio e a autoria: qual o papel da universidade? Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 38, Aug. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 24782008000200012&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 25 Fev. 2013.

ORLANDI, E. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Campinas: Pontes, 2004. 

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